Sinais do coração. Não deixe a viagem acabar cedo demais.

Risco Cardiovascular

Hipertensão arterial

O estreitar das paredes arteriais leva a que o sangue crie uma maior pressão para circular convenientemente, o que pode levar ao rompimento de um vaso;

Acidente vascular cerebral (AVC):

Ocorre quando se verifica uma das seguintes situações nas artérias cerebrais: bloqueio total de uma artéria, interrompendo assim a irrigação de uma parte do cérebro; rompimento de uma artéria relacionado com o endurecimento das suas paredes ou pelo aumento da pressão criada pelo sangue no seu interior;

Enfarte do miocárdio:

Em tudo semelhante ao AVC, o enfarte do miocárdio ocorre quando a irrigação do coração é interrompida ou em fluxo insuficiente e se dá a morte das células cardíacas.

Insuficiência cardíaca:

Conjunto de condições nas quais o coração deixa de ter capacidade para bombear sangue para todo o corpo.

quote
O desenvolvimento de doenças cardiovasculares está associado a um conjunto de comportamentos e hábitos muito comuns nas sociedades ocidentais, onde se incluem:

Alimentação pouco saudável

O consumo excessivo de açúcar, gordura e fritos, associados à ingestão insuficiente de legumes, frutas e leguminosas.

Tabagismo

O hábito de consumo de tabaco provoca – além de lesões em outros órgãos e áreas do corpo – o endurecimento e envelhecimento precoce das artérias.

Sedentarismo

A falta de exercício físico contribui para o excesso de peso e para o enfraquecimento do sistema circulatório.

Consumo excessivo de bebidas alcoólicas

As bebidas alcoólicas, quando consumidas em excesso, provocam anomalias no normal funcionamento do coração.

Idade

A propensão ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares é tanto maior, quanto mais avançada for a idade da pessoa em questão.

Género

O género masculino tem uma maior propensão ao desenvolvimento destas doenças, sendo, no entanto, de ressalvar que a propensão no género feminino aumenta após a menopausa.

Predisposição genética

Há uma clara ligação entre a propensão a desenvolver doenças cardiovasculares e a existência de um historial de doenças deste género na família.

Outras doenças

A presença de outras doenças, como por exemplo a diabetes, podem também aumentar a propensão para vir a desenvolver doenças cardiovasculares.

Insuficiência Cardíaca

Denomina-se insuficiência cardíaca um conjunto de situações nas quais o coração perde a capacidade para bombear sangue para todo o corpo. Estima-se que seja um problema que afeta a vida de cerca de 500.000 portugueses, com ainda mais dados alarmantes associados:

O aumento da prevalência da insuficiência cardíaca, tal como acontece com as demais doenças do foro cardiovascular, deve-se sobretudo ao aumento da esperança média de vida (que leva à inversão da pirâmide etária e ao envelhecimento populacional)

e à maior sobrevivência dos doentes que sobrevivem a outras complicações cardiovasculares, como o enfarte. Em sentido inverso, os últimos avanços da ciência abrem novas perspetivas de tratamento e de aumento da qualidade de vida dos doentes.

quote

Numa parte significativa dos casos, a insuficiência cardíaca desenvolve-se depois de uma doença ter provocado lesões e enfraquecido o músculo cardíaco, como um enfarte, ou nas doenças das válvulas do coração. No entanto, a insuficiência cardíaca pode igualmente surgir se o músculo do coração perder elasticidade e ficar rígido, que acontece frequentemente associado à hipertensão arterial e à diabetes.

Na insuficiência cardíaca, as principais câmaras do coração (os ventrículos) deixam de ser capazes de encher convenientemente entre batimentos (porque estão “rígidas”) e/ou deixam de ser capazes de bombear sangue para todo o corpo (porque estão “fracas”).
Uma das formas de se classificar o tipo de insuficiência cardíaca é através da medição da “fração de ejeção”, que no fundo é a percentagem de sangue que é bombeada do ventrículo a cada batimento. Num coração saudável, esta percentagem é habitualmente superior a 50-55%.

Sintomas e complicações

A insuficiência cardíaca é muitas vezes uma doença silenciosa, na medida em que muitas vezes não provoca quaisquer sintomas até ocorrer um evento grave. É uma doença que apesar de crónica, pode começar por manifestar-se de forma aguda e repentina. Entre os sintomas associados a esta situação, destacam-se os seguintes:

Falta de ar em situações de esforço físico ou depois de se deitar

Fadiga ou fraqueza

Inchaço nas pernas, tornozelos e pés

Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares

Redução da capacidade para fazer exercício físico

Tosse persistente com expetoração esbranquiçada ou acompanhada de sangue; particularmente à noite ou em esforço

Maior necessidade de urinar durante a noite

Inchaço do abdómen

Ganhos rápidos de peso (p. ex. 2-3 kg em 3 dias)

Falta de apetite e náuseas

Desmaios com perda de consciência

Falta de ar extrema e súbita, acompanhada de expetoração esbranquiçada ou com sangue

Morte súbita

Sabe-se hoje que, um conjunto alargado de condições que afetam o funcionamento do coração, ou que o enfraquecem, aumentam o risco de a vir a sofrer de insuficiência cardíaca:

Doenças da artéria coronária Ataque cardíaco/enfarte agudo do miocárdio Hipertensão arterial Diabetes mellitus
Doenças nas válvulas cardíacas, como estenose aórtica e insuficiência mitral Doenças específicas do músculo cardíaco Inflamação do músculo cardíaco (miocardite) Doenças cardíacas congénitas Arritmias graves

O autodiagnóstico e a automedicação são dois problemas reais e graves, aos quais não deve ceder. Na eventualidade de manifestar um ou mais sintomas da lista acima, não deve hesitar e deve procurar aconselhamento médico. Após o diagnóstico de insuficiência cardíaca, o prognóstico de cada doente vai depender da causa da insuficiência cardíaca e da sua gravidade, mas também de outros fatores como o seu estado de saúde geral ou a sua idade.

Mas não há razão para desanimar! Existem vários tratamentos com medicamentos, dispositivos ou cirurgia que podem controlar ou até curar a insuficiência cardíaca e permitir uma vida normal.

Morte Súbita

quote

“Morte súbita” é o nome dado a uma morte inesperada, provocada por perda repentina de função cardíaca. É igualmente o fim para muitos casos de insuficiência cardíaca, quando não diagnosticados, monitorizados e tratados corretamente. Em Portugal, é uma situação com uma taxa de mortalidade superior à soma das mortes provocadas por cancro da mama, cancro do pulmão e por infeção pelo vírus da imunodeficiência humana.

Ao contrário do que uma porção significativa da população pensa, a morte súbita não é a mesma coisa que um “ataque de coração”. Aquilo a que comummente se apelida de “ataque de coração” é na realidade um enfarte do miocárdio, situação que acontece quando um bloqueio das artérias que nutrem o coração impede o coração de receber sangue oxigenado. No entanto, muitas mortes súbitas são causadas pelo enfarte do miocárdio. Além do enfarte do miocárdio como causa de morte súbita, existem outras causas. A morte súbita pode também ser causada por arritmias graves, que são comuns em doentes com insuficiência cardíaca. Nestas situações, a parte elétrica do coração começa a funcionar mal e torna-se muito irregular, com o coração a bater perigosamente depressa.

Quando isto acontece, a parte mecânica do coração deixa de bombear o sangue e a oxigenação do corpo é comprometida, o que leva a pessoa a perder os sentidos. Quando esta paragem cardíaca ocorre é fundamental que seja prestado apoio médico de emergência, nomeadamente chamada imediata do INEM e suporte básico de vida, sob pena de a pessoa acabar por falecer.

Ainda que este evento possa ser antecedido por uma sensação de tontura ou de batimento irregular do coração – sinais que indicam alterações no normal ritmo cardíaco – muitos são os casos em que esta ocorrência acontece sem quaisquer sinais prévios e é o sintoma inaugural da insuficiência cardíaca.

Prevenção

A chave para prevenir a insuficiência cardíaca está em evitar ou reduzir os fatores de risco associados. Se é verdade que contra o normal processo de envelhecimento ou à nossa história familiar nada há a fazer, também é verdade que muitos dos fatores de risco são controláveis e evitáveis, sempre com acompanhamento médico especializado, através de alterações ao seu estilo de vida:

Deixar de fumar

Controlar a
hipertensão arterial

Fazer uma gestão
adequada da diabetes

Manter um nível de
atividade física
adequado

Seguir um regime
alimentar variado
e equilibrado

Reduzir e aprender
a gerir os níveis
de stress

Se a Insuficiência Cardíaca faz parte da sua vida, visite o site da Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca. Descubra testemunhos e outros conteúdos muito úteis ao seu dia-a-dia em www.aadic.pt